Queimaram o Museu.
Lá, na Quinta. Queimaram o Museu.
Daqui, com o olhar esfumaçado vejo como arde no colorido do
fogo. Parece uma pintura andando feliz pelas alamedas da Quinta.
Mas, tudo nele se contorce em dor: as múmias, os esqueletos,
a Filosofia da Arte, a coroa do Rei, o céu azul do quadro torto, a Gramática, as
garatujas febris das crianças do Reino. Voam ou caem, mortos.
Com dor de peito sangrando vejo as chamas lamberem livros raros
para dali tirarem os segredos guardados dentro das capas rotas. Palavras quentes
tentam fugir correndo pelas escadas, voando pelas janelas. As chamas perseguem,
dançam e riem crepitantes com poder de fogo. Nada as detém.
Há um corre, corre de vidas antigas. Entreolham-se intrigadas
buscando saídas e derretem ante as portas fechadas.
A desenvoltura do Abandono confere se está tudo em ordem.
O Museu morreu.
Agora é
silêncio.
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