É manhã. Manhã de sol.
Choveu ontem. Choveu nos
vários antes de ontem.
Chuva boa, generosa,
forte. Chuva com ventos, relâmpagos e trovoadas.
Aguaceiro em fartura
para molhar tudo.
Mas hoje é manhã
brilhante de sol.
Quero comer esta manhã.
Só por hoje comer esta manhã.
Engolir o brilho
reflexo da superfície lisinha das folhas.
E amar.
Um amor antropofágico
que mastiga e engole pássaros que miram em voos rasantes e atravessam esse
corpo faminto de manhãs de sol.
Comer lagartixas em
contrição dizendo sim.
Comer pares de borboletas
dançarinas em garfadas de alegria.
Quero comer sozinha, egoísta
e malvada os trezentos e sessenta graus dessa manhã tão clarinha e doce como só
uma manhã de sol consegue.
Uma manhã que dura as
vinte e quatro horas da tarde e da noite.
Amanhã...
Amanhã pode
chover.
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