Colocou a própria imagem na tela.
Cada vez que ligava a máquina ali se via e se cumprimentava dizendo alguma coisa do tipo “oi garota...!”.
Reconhecia-se na dificuldade em se reconhecer.
Estranha de si mesma continuava com aquele estranho cumprimento dia após dia.
Às vezes fazia um carinho em si: na foto, ou no corpo ali presente.
Nesse estranhamento deixava-se levar por caminhos igualmente estranhos.
Mas, estava empenhada em se conhecer e por isso embrenhou-se em terapias diversas, ioga, meditação, reclusões e silêncios...
Foram muitas as leituras que sinalizavam um ajudar a si mesmo. Tudo nessa busca do que podia ser. Precisava saber.
Para assim, e só assim poder se amar.
Essa foi a promessa.
Naquele dia olhou a foto mais uma vez e disse olá cheia de simpatia e boa vontade para consigo.
Queria se querer de verdade, rompendo os medos e as amarras do medo. Estava inteira naquela intenção.
Foi na infância e no futuro a um só tempo. Intuiu-se movida por um sentimento de urgência.
E não adiantava os outros quererem-na porque de nada adiantava se ela mesma ainda estava mergulhada na dúvida.
Por vezes se sentia grande demais em um mundo que era apenas uma bola.
Por vezes pequena a esconder-se embaixo das unhas cravadas na palma das mãos.
Os anos de psicanálise diziam: você tem que se amar antes de qualquer coisa.
Você precisa se amar.
E novamente a imagem a lhe sorrir.
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