quinta-feira, 4 de março de 2010

O ENTRE

O ENTRE

Entre.
Entre é um lugar ou um tempo.
Coloca-se no depois e no antes. Oscila em beiradas sutis. Tateia confuso, em superfícies que escapam.
São infinitas as suas dimensões.
É lugar e é tempo do meio. De exposição. De nudez.
Constituído de indefinições sofre a condição da falta de sentido, esgueira-se em busca de significados.
Seu martírio de ausências compraz-se em possibilidades.
O Entre é lugar fértil.
Fertilidades que se revolvem num quase vazio...
E a cada movimento de espirais ondulantes se abrem para esse possível.

Nesse lugar, nesse tempo, ou nesse tempo e lugar o ser se admira e admira-se no espanto da dúvida; mira-se em incertezas; inquieta-se.
Luta com o antes no que foi; luta com o depois no que ainda não é. Quer escapar por caminhos seguros.
Ou render-se e, exausto, aquietar-se no aguardo.

O ser desse Entre sequer se reconhece. O que vê na penumbra são fragmentos instáveis.
Não é... Ainda.

O saber que no ainda não é do Entre tudo é possível, enche-o de esperanças.
Nesse espaço de algo que já acabou e que ainda não é outra vez...
Cogita.
Estar nesse Entre é poder alongar-se em pontes que realizam travessias.
É sofrer sem pressa no desconforto excitante de perigo.
Vazios e substâncias se contorcem ali emitindo inaudíveis turbulências. São querências que, confusas, não se sabem querer.
De cima, o Entre borbulha em visões que escapam, que se escondem, resvalam-se.
É um tempo e lugar ilimitado.
Em fertilidade.
Em possibilidades.

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